quinta-feira, 22 de abril de 2010

TEORIA DA ESPIRAL DO SILÊNCIO


TEORIA JORNALÍSTICA

A opinião pública e o medo da solidão

Por Vânia Coelho



O conceito da Teoria da Espiral do Silêncio surgiu pela primeira vez em 1972, no 20º Congresso Internacional de Psicologia, em Tóquio. Nesse congresso, vários intelectuais participaram com papers, artigos, debates e diversas mesas.

Uma das participantes foi a pesquisadora alemã Noelle-Neuman que apresentou o paper Return to the concept of powerful mass media. Studies of broadcasting 9. No entanto, veio a público somente nos Estados Unidos em 1984, doze anos depois da primeira apresentação, em forma de livro e intitulado Espiral do Silêncio.

Para Noelle-Neuman, as pessoas tendem a esconder opiniões contrárias à ideologia majoritária (que ajuda a manter o status quo) e dificulta na mudança de hábitos, porque o pensamento é hegemônico e linear, baseado no senso da maioria. Seria o senso comum?

A opção pelo silêncio, diz a pesquisadora alemã, é causada pelo medo da solidão social, que se propaga em espiral e, algumas vezes, pode até esconder desejos de mudança presentes na maioria silenciosa. Esses desejos são sufocados pela espiral do silêncio, pois que os indivíduos são influenciados pelo que os outros dizem como também pelo que imaginam que eles poderiam dizer.

Cada vez que alguém se vê com opinião contrária do grupo em questão, com medo de não ser receptivo, prefere o silêncio à solidão. É um livro * que precisa ser lido, interpretado e discutido pela maioria dos discentes, principalmente pelo estudante de jornalismo.

A mudança, diz Noelle-Neuman, só ocorre se houver um sentimento de que ela já é dominante, mas isso demora muito a acontecer, pois que depende da mídia. Observe o que a autora diz sobre essa questão:


O resultado é um processo em espiral que incita os indivíduos a perceber as mudanças de opinião e a segui-las até que uma opinião se estabelece como atitude prevalecente, enquanto as outras opiniões são rejeitadas ou evitadas por todos, à exceção dos duros de espírito. Propus o termo espiral do silêncio para descrever este mecanismo psicológico.


A mídia privilegia as opiniões dominantes consolidando-as e ajudando-a, dessa forma, a calar as minorias (na verdade, maiorias) isoladas. Aqui, a teoria da espiral do silêncio aproxima-se da teoria dos definidores primários, pois ambas as teorias defendem que a tal prioridade é causada pela facilidade de acesso de uma minoria privilegiada (fontes institucionais) aos veículos de informação, afirma Noelle-Neuman.

Nesse sentido, a maioria silenciosa não se expressa e nem é ouvida pela mídia, o que leva à conclusão, diz Noelle-Neuman, de que o conceito de opinião pública é totalmente distorcido.

A Teoria da Espiral do Silêncio defende que os indivíduos buscam a integração social por meio da observação da opinião dos outros e procuram se expressar dentro dos parâmetros da maioria para evitar o isolamento. Para Felipe Pena (2006)**, um exemplo típico de espiral do silêncio encontra-se no período de eleições: os candidatos que estão à frente tendem a receber mais votos, pois a maioria entende que se ele está à frente é porque deve ter preferência da maioria e, portanto, deve ser bom e merece ser eleito.

Outro exemplo que o autor cita refere-se à convivência em bairros, muitas vezes, os indivíduos não se manifestam com reclamações com medo do isolamento.
A Teoria do Espiral do Silêncio trabalha com três mecanismos condicionantes, que juntos influenciam a mídia sobre o público, que não chega a ser tão absoluta como na teoria hipodérmica, mas é decisiva para consolidar os valores da classe dominante e formar a percepção da realidade. Os mecanismos são:

1) Acumulação: excesso de exposição de determinados temas na mídia;

2) Consonância: forma semelhante como as notícias são produzidas e veiculadas;

3) Ubiqüidade: presença da mídia em todos os lugares.


NOTAS:

*NOELLE-NEUMAN, E. La Espiral do Silencio: opinião pública. Barcelona: Paidós, 1995.

**PENA, Felipe. Teoria do Jornalismo. São Paulo: Contexto, 2006.
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Arte, Comunicação e Jornalismo

Jornalista, escritora, docente, mãe e, principalmente, avó de João e Letícia

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Vânia Coelho é jornalista e docente no curso de Jornalismo. Adora literatura e é leitora de Machado de Assis, Guimarães Rosa, Caio Fernando Abreu, Marcelino Freire, Fialho de Almeida, James Joyce, Marguerite Duras, Vergílio Ferreira, Fernando Pessoa, Virgínia Woolf entre outros
 
 Autora dos livros: Aspectos Teóricos Teóricos da Linguística, Ritos Encantatórios, Costureira dos Malditos, a peça de teatro Café com Sartre, os contos O velho e a Moça; Querida, eu te amo; Saigon; Pássaros que sobrevoam os ares de Hiroshima; Das trevas à luz.  Resenhas do poema "O Corvo" de Edgar Allan Poe e do filme francês A elegância do Porco Espinho de Achache. Escreveu o primeiro  romance "Os Inocêncios"  (2012).
 
Mãe da cantora Nanda Coelho e do comerciante Rafael Coelho, pai de seus dois netos.
 
Orientadora de TCC no curso de Jornalismo, cuja produção trata de uma grande reportagem no formato impresso (livro-reportagem)
 
Escreve, atualmente, uma antologia de contos.